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1988

1988   Projeto parado. Não vou mais investir dinheiro em algo que só me traz retorno social. A vida não é somente aplausos.

Eu, a Feira de Livros, Minhas Colegas de Escola e Minha Mãe

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  Acontecia uma feirinha de livros na escola. Primeiro turma por turma foi levada até o stand para conhecer os livros à venda. Era bem criança, a famigerada quinta série ginasial, entretanto me comportei como leitores se comportam em livrarias, olhando as capas, se alguma me atraísse eu pegava o livro e tentava ler a sinopse, a apresentação do autor ou até o comecinho dele. Lembro da Ariane entusiasmada, pegando um monte na mão, e atrás dela, a sua stalker Cristiane. Fiquei sozinha nesse momento, não comentava, estava atenta em descobrir se algum me interessaria para depois pedir a minha mãe. Ariane escolheu 12 livros!!! Eu escolhi 4 Alex escolheu 6 Tenho certeza que a mãe da Ariane, espantada com aquela lista enorme de compras, disse um gigante não pra filha, que no dia anterior, demostrou certeza que os compraria. Depois ficou chamando a minha mãe de rica pelo fato de eu ter comprado os quatro livros que havia escolhido. Fiquei tão triste quando a banca se desfez. Por mim, eu com...

Momentos Bizarros da Vida da Anita - O Menino Tarado

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MOMENTOS BIZARROS DA VIDA DA ANITA A gente não tinha mochila, a gente tinha "pasta" A sobriedade era a regra nas pastas escolares das crianças O MENINO TARADO Se o seu pai tivesse muito, muito, mas muito dinheiro mesmo, talvez você poderia ter uma dessas, que fugia da regra geral. Acho que foi na série segunda primária ou primeira série mesmo, foi bem antes de eu conhecer as "verdades do mundo". Por isso, não entendi o comportamento e o entusiasmo do rapaz, e quando disse que queria ver também, ele me deu um sonoro não. Era o fundão da sala de aula. Ao meu lado, um grupo de garotos. Um deles tira da pasta escolar, bem diferente das atuais mochilas, eram malas quadradas, com cara de sério, sem o colorido atual, algo meio escondido em suas mãos, levanta para o alto, como se exibisse um tesouro, chamando a atenção dos seus colegas. Essas somente para as classes de alfabetização. Um filhinho da mamãe talvez a usasse na segunda série... Nada fala, apenas continuava a exi...

O Estalo Mágico .

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  MOMENTOS BIZARROS DA VIDA DA ANITA   O Estalo Mágico   Bem, o meu conforto com a solidão e minha total falta de trato social, em parte, talvez seja devido a minha criação. Não culpo meus pais por isso. Sou assim e me sinto bem. Apenas sou diferente e talvez cause desconforto e inúmeros rumores sobre mim.   Paciência...😔   Nesse mundo de regras e estereótipos; é uma virtude.   Minha Mãe não gostava do fato de eu ter amigas na escola. Ela não permitia que eu brincasse com outras crianças na rua. O meu mundo era o meu quarto e as minhas bonecas. Não satisfeita, lembro de ainda pequena, a gente brigar porque ela queria que eu brincasse com a porta do quarto porta aberta. Sob seus olhares. Nunca permiti. Alex, menor que eu, queria brincar comigo, e eu botava ele pra correr. Isso a deixava furiosa... Meu mundo, minhas regras. Lembro que recebi a visita de uma vizinha da minha idade. Ficamos caladas por toda visita.  Tu já f...
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  heart of courage O LADRÃO O Nascimento de Uma Otária   Assim que comecei a minha alfabetização, nas primeiras semanas de escola, minha mãe me surrou com o cinto do meu pai. Eu voltava sempre sem a borracha, e na hora de fazer o dever de casa, ela me perguntava pela borracha e dizia que havia acabado. Uma mentira esdrúxula. Mas com sete anos a gente ainda não tem muita maquinação em criar mentiras mirabolantes. Não sei se eu perdia e não percebia, não lembro se eu emprestava e não pegava de volta. A borracha sumia. No dia seguinte, durante a aula, eu não tirei a borracha da minha mão. Fui criada com valores de honestidade fortes. Quando comi um pouco do leite ninho da minha avó que estava viajando, minha mãe ficou uma semana de cara amarrada e falando muito no meu ouvido.   Não sabia ainda que tinha um irmão ladrão dentro de casa. Minha mãe reclamava muito era da minha avó, que (palavras dela) roubava coisas de casa para dar para a filha preferida. ...
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PAIS PERFEITOS   A paixão nacional chamada Kombi, por muitos anos trafegou pelo Brasil como uma bomba relógio. Décadas depois admitida pela montadora: a sua facilidade em pegar fogo. Eu, meu irmão Almir e Alex fomos vítimas dessa armadilha. Não foi adiante porque havia extintor. Mas foi o suficiente para eu sair do carro, apavorada, gritando “A Kombi tá pegando fogo!” e derrapar na estrada de terra batida e cair no chão... Sob os olhos de uma senhora em pé no seu portão que a tudo assistia e não moveu um dedo por nós...   Meus irmãos duas vezes por semana faziam judô no CEM, mesma escola em que Amiltom estudava à tarde, assim como eu e Alex. Nesse dia até eu senti que meus dois irmãos estavam demorando a chegar da aula. Já escutava os gritos de lamúria e preocupação com a demora. Em vez de chegarem por volta das dez da manhã, chegaram um pouco depois das onze. Estava na sala, almoçando. Era o nosso horário normal, pois meio-dia tínhamos que está de banhos tom...
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O DIA EM QUE PERDI A MINHA VIRGINDADE NA INTERNET   Você só perde a virgindade nas redes sociais quando é notado. Alguns têm a felicidade de terem um post super compartilhado, milhares de amigos de uma vez só, mas o jeito mais comum é pela treta. Briga, um questionamento virtual pesado, com palavrões, ou com ataques e critica pesada ao seu post ou comentário.   Eu entrei bem tarde nesse ramo. O Orkut era a rede do momento, cheguei a receber o convite, mas os meus parcos conhecimentos digitais, fizeram com que eu nunca entrasse novamente na página que abri, e perdi o contato com a amiga que me enviou o convite. A minha primeira rede foi o Facebook, que pouco a pouco, em passos largos, devoraria o Orkut. Minha página era pequena, e até hoje ainda é. Tenho um pouco mais de 300 amigos lá, e pra mim tá bom. Num post sobre a bagunça dos alunos em sala de aula, citei como era a minha turma do oitavo ano ginasial. Batalhas de carteiras. Brigas onde a porta da escol...
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OPINIÃO LIVRE NUMA FAMÍLIA PATRIARCAL A professora/diretora Regina tinha características homossexuais claras. Não precisava ser da trupe, para se reconhecer que aquela mulher era sapatão. Mas nos anos 80, não havia esse reconhecimento descarado, não havia esse "radar". Mesmo porquê, homossexualismo feminino, era "raro" e escondido. Mesmo quando um mulher se comportava e se vestia como homem, não havia o questionamento público ou até mesmo a maldade em apontar o dedo na mulher que gostava de mulher. Regina tinha cara de braba, séria, cabelo curto, além de outros trejeitos. Não sei se é por causa da moda da época, mas ela usava muito calças de lycra nas cores claras e berrantes. Que sabemos nós, não ser uma roupa própria para o dia a dia, até em academias ela não fica bem. Pois marca demais o corpo. Regina ainda usava camisas curtas, a impressão que tinha, é que ela gostava de exibir o seu "testão", a buceta mesmo. Era o equivalente ao Eliezer, qu...
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A HISTÓRIA DE BETO Beto é um viadinho que conheci nos meus tempos em que frequentava a macumba. Ele foi o segundo caso do meu irmão Almir. O primeiro foi o Eriveltom. Vou falar do Eriveltom um pouquinho: Tudo que sei é por convivência e por dizeres de terceiros. Não vou aqui questionar se as pessoas nascem gay ou se tornam gay ou o se mundo é gay, pois a heterossexualidade não passa de uma imposição judaico cristã. Afinal, em tempos da Grécia e Roma antiga, o relacionamento entre homens era até mesmo incitado, principalmente pelos gregos, pois eram tão machistas, que muitos sábios se recusavam a dividir o prazer com um ser tão inferior quanto a mulher. Preferiam estuprar animais ou se relacionar entre si.   Até onde vai a misoginia de uma sociedade... Em Roma, praticamente todo menino era estuprado por um "mentor sexual" que lhe ensinaria o sexo... Eriveltom foi o primeiro e o amor da vida do meu irmão. Foram anos de relacionamento. Na minha famíl...