Postagens

Mostrando postagens com o rótulo criança

A MÁQUINA DE COSTURA DA MINHA MÃE - REMAKE

Imagem
  Décadas se passaram e atualmente, alcancei o auge da minha maturidade. Revisei conceitos,, comportamentos passados e até minha fé. Entretanto, embora me sinta arrependida da minha mesquinhez. De ter se desfeito de algo tão caro a minha mãe, a última lembrança física dos tempos áureos da família, digo que não foi gratuito. Não foi o comportamento de uma pobre menina rica e mimada. Quando somos crianças, é comum nos interessarmos por alguma arte/trabalho manual. O meu primeiro foi o crochê. Era bem criança, mas já conhecia meninas da minha idade que mandavam bem no crochê. Faziam porta moedas, paninho de penteadeira, chapeuzinho de boneca. Queria muito aprender.  A papelaria São Jorge abriu um curso de crochê gratuito. Era comum nos anos 80 papelarias abrirem esses cursos artesanais.  Implorei a minha mãe, mas ela não deixou. Levar e trazer a filha alguns dias de semana de um curso, nunca esteve em seus planos. Enquanto ela foi viva, nunca nem pude fazer trabalho de escol...
Imagem
PAIS PERFEITOS   A paixão nacional chamada Kombi, por muitos anos trafegou pelo Brasil como uma bomba relógio. Décadas depois admitida pela montadora: a sua facilidade em pegar fogo. Eu, meu irmão Almir e Alex fomos vítimas dessa armadilha. Não foi adiante porque havia extintor. Mas foi o suficiente para eu sair do carro, apavorada, gritando “A Kombi tá pegando fogo!” e derrapar na estrada de terra batida e cair no chão... Sob os olhos de uma senhora em pé no seu portão que a tudo assistia e não moveu um dedo por nós...   Meus irmãos duas vezes por semana faziam judô no CEM, mesma escola em que Amiltom estudava à tarde, assim como eu e Alex. Nesse dia até eu senti que meus dois irmãos estavam demorando a chegar da aula. Já escutava os gritos de lamúria e preocupação com a demora. Em vez de chegarem por volta das dez da manhã, chegaram um pouco depois das onze. Estava na sala, almoçando. Era o nosso horário normal, pois meio-dia tínhamos que está de banhos tom...
Imagem
OS MALUCOS E EU Meu pai tinha o costume de viajar pelos cantos de Mimoso do Sul, divisa com Espírito Santo, onde ele nasceu e viveu, e visitar seus parentes. Tias, tios e primos. Era um pouco chato. Eram casas que nunca tinham crianças, quando tinham elas eram arredias, na certa, filhos dos vizinhos, que tinham a sua atenção chamada pelo carro presente na casa ao lado. As vezes uma outra menina muito mais velha que eu, mas que por caridade, me chamava pra conversar ou brincar, mesmo com uma diferença grande de idade e mentalidade. Em uma delas, moravam duas mulheres. Não sei se realmente tinham parentesco conosco ou se era alguma afilhada de meu pai. Lembro que uma vez ele me disse que batizou um monte de meninas. Embora só mantivesse contato com duas: Rogney e minha prima Solange. As outras eram filhos de amigos e parentes dele que continuaram em Mimoso do Sul. Mais uma casa sem criança. Nessa não tinha, acho, nem eletricidade. Nem TV e nem rádio! Uma delas ...
Imagem
NÃO GANHAVA, EU DAVA Não fui a criança que pegava doce. Estudava à tarde, e no tempo em que ficava em casa, não tinha autorização nem pra colocar o dedão do pé no portão, imagine então sair pelas adjacências à procura de doce. Fui uma criança que “dava doce”. Todo Cosme e Damião ajudava minha mãe na compra dos doces, na arrumação dos saquinhos. Bem, não chegava a entregar os doces. Isso era minha mãe que fazia. Era tradição: “O ferro-velho dá doce.” Sempre levava saquinhos para minhas amigas de escola. Patricia nunca comia, dava para professora ou distribuía os doces entre o grupo. Dizia que não queria, que estava com azia. Não entendia na época que o motivo dela era outro: Patricia era crente. Nada que abalasse a festa da criançada. A alegria, a caça pelos saquinhos. Meu primeiro contato com a religião dos meus pais, a umbanda, foi numa festa de erê. Era bem novinha. Não tinha ideia do que realmente era aquilo. Pra mim era uma festa, não estran...
Imagem
CIRANDA DE RODA Onde foi parar o Velho Cruz   Velho Cruz Velho Cruz Onde foi para o Velho Cruz? Com seu saco a catar A catar A catar E o lixo revirar Alguém viu o Velho Cruz Velho Cruz? Velho Cruz? Quem sabe do Velho Cruz? Com seus cachorros a caminhar Caminhar Com seus cachorros a Caminhar Com seu saco cheio de latinha No carrinho papelão E a cachaça sempre presente Segura e firme na outra mão Que fim levou o Velho Cruz Velho Cruz Que fim levou O Velho Cruz? O Velho Cruz Ninguém viu Ninguém viu Desde ontem a noite Velho Cruz sumiu Seus amigos foram às marquises Procurar Procurar O Velho Cruz vamos encontrar Já encontramos o Velho Cruz Velho Cruz Já encontramos O Velho Cruz Era uma cena de assustar Assustar Assustar Sangue e gente quase morta a agonizar Adolescentes caídos Mordidos Com a carne rasgada Todos os garotos foram vencidos Em sua volta garrafas de á...