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Os Figurantes

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Os Figurantes Hoje eu revi o vendedor de mel. Bem diferente do que sempre foi. Em vez de ativo, cheio de energia, dando suas voltas em torno da cidade com sua garrafa na mão e alardeado os pedestres com seu grito Olha o mel! Ele estava estático, tímido, sussurrava: Olha o mel... Que sua ausência de entusiasmo seja passageira. Já vi esse filme antes, várias vezes, em idosos principalmente, e ele não termina bem. Lembro de um velhinho, bem idoso, negro, magro, alto, porém, as costas e as pernas curvadas, apequenaram sua altura, rodava o centro de Bel, começando bem cedo, com um saco de bananada na mão, a oferecer seu doce, entre os pedestres e os clientes das lojas. Não gritava, oferecia no sussurro ou estendendo a mão com o doce para um potencial cliente. Sempre sorrindo. Vendedores assim, acabam virando referência de suas cidades e moradores, ao ponto de acreditarmos que são imortais.  Ate chegar o dia em que eles não aparecem mais. Desaparece...
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COMÉDIA DO PATRIARCADO PRIVADO Stand up Comedy Minha casa era uma eterna casa de comédia. No estilo Costinha, Ary Toledo. Comediantes que faziam sucesso com seus discos ou fitas cassetes com piadas cabeludas. Era o meu pai, meu irmão, meu tio e até uma visita, que quando se uniam na varanda ou sala de estar, danavam-se a contar piadas e todos explodiam em altas risadas. A mais poderosa era a do meu pai. Dava pena do desavisado ao seu lado que quase sempre se afastava tampando os ouvidos doídos por causa da poderosa garganta do velho Argemiro. Enquanto ele gargalhava, ao mesmo tempo (sempre), ele afastava uma das pernas, a levantava levemente e roçava o pinto com a mão, (por cima da roupa, claro!). Era muito legal. Era divertido. Então um dia, quis fazer parte da algazarra, da alegria. Entrei na roda e contei a minha piada. Bem pesada, cabeluda, pura sacanagem explícita. Ri sozinha... Todos me olharam com olhos de reprovação, cara feia, indignados. _Com q...