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MINHA VIDA MINHA MORTE Nasci numa família de posses. Tive quarto e brinquedos. Porém com um cabresto curto e sufocante. Não podia brincar na rua, não podia ter amigos. Não podia gargalhar alto. Minha mãe uma senhora doente e stressada, meu pai um ignorante, a ponte de literalmente começar a relinchar dentro de casa. Nunca soube por quê ele fazia isso. Talvez por está puto com alguém, e o relincho dele seria a forma de ele agredir o causador desse seu stress. Foi na adolescência que percebi o que eu realmente me tornei. Uma destrambelhada social. Não namorei, não aproveitei o pouco tempo de beleza que tive, pois não sabia usar o cabelo, não sabia me vestir. Minha fase adulta foi um desastre. Perdi tudo. Até hoje, nada realizado. Meia idade, a velhice batendo a minha porta. Cheguei na fase onde homem nenhum quer me comer mais. O que espera dela? Nenhuma novidade. O mesmo de sempre. Isolamento total. Não sei se quero ter uma vida longa. ...
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Obrigações Sociais Sempre tive um lado meio matuto. Não sei se nasci assim ou se nasci assim, e foi cultivado pela clausura imposta pelos meus pais até a pré-adolescência. Minha primeira experiência social, a escola, foi um pesadelo. Não lembro de ter conquistado amigos no jardim de infância. Havia o encosto chamado Gisele, que apenas se aproximava de mim, para jogar as piores pragas possíveis, como essa em que ela dizia, que quando chegasse em casa, encontraria toda a minha família morta. Vivia me caguetando para a professora, tudo e qualquer coisa que fizesse, como por exemplo, catar meleca... Não podia brincar na rua com as outras crianças. Por minha casa também ser um ferro-velho. Meus pais não eram fãs de visitas e crianças em casa. Havia as filhas das vizinhas, com quem minha mãe tinha amizade, e permitia algumas vezes, brincar comigo. Lembro que nos divertimos muito numa tarde. Tanto que elas voltaram. _Nossas mães permitiram que a gente ficasse, at...
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“ESCOLHEU DE MAIS” Ainda me surpreende como as escolhas das mulheres são questionadas, assim como suas opções ainda são limitadas. Século XXI e uma mulher só será feliz, bem sucedida, realizada ,“completa” (?) se casar e tiver filhos... A amiga me falava que depois de décadas, reviu sua antiga diretora de escola. O que lhe causou tamanha boa impressão, não foi o reencontro em si, foi o fato de uma senhorinha estar com seus 66 anos e continuar extremamente linda. _Eu não dava nem 50 anos para ela! Todavia, seu vislumbre foi ao negativo quando soube da sua situação: _Ela nunca casou! Tão linda e nunca casou! Como isso aconteceu? “Ela deve ter escolhido de mais.” Solteira e childfree convicta que sou rebati imediatamente: _Sabia que ela pode ter simplesmente optado por não se casar? _Mas é isso. Porque escolheu de mais. _Ela não escolheu de mais. Ela não quis. _Talvez ela quisesse marido rico, foi por isso. _Talvez ela não quisesse ning...