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NÃO GANHAVA, EU DAVA Não fui a criança que pegava doce. Estudava à tarde, e no tempo em que ficava em casa, não tinha autorização nem pra colocar o dedão do pé no portão, imagine então sair pelas adjacências à procura de doce. Fui uma criança que “dava doce”. Todo Cosme e Damião ajudava minha mãe na compra dos doces, na arrumação dos saquinhos. Bem, não chegava a entregar os doces. Isso era minha mãe que fazia. Era tradição: “O ferro-velho dá doce.” Sempre levava saquinhos para minhas amigas de escola. Patricia nunca comia, dava para professora ou distribuía os doces entre o grupo. Dizia que não queria, que estava com azia. Não entendia na época que o motivo dela era outro: Patricia era crente. Nada que abalasse a festa da criançada. A alegria, a caça pelos saquinhos. Meu primeiro contato com a religião dos meus pais, a umbanda, foi numa festa de erê. Era bem novinha. Não tinha ideia do que realmente era aquilo. Pra mim era uma festa, não estran...