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  MARLI MORREU   Esse ano, pra Marli, não começou bem. Logo no início, na ressaca das festas de fim de ano, soube que ela foi parar na UTI e ficou mais de uma semana por lá. Voltou, zoou a situação. Fez pouco caso. Marli estava de volta a sua rotina. De manhã cedo, normalmente com um casaquinho, seja qual for a estação, pegando sol para se aquecer nos fundos do ferro-velho. De vez em quando, atendemos fregueses por esse portão. Ela catava as sucatas que caía no chão ou ganhava dos fregueses, pois ela sempre levava água para eles. Sua alegria, era quando enchíamos a caçamba de caminhão com latinha. Se caísse no chão, a latinha era dela. _Espera aí , Marli, a gente tá carregando ainda! Ela não deixava os meninos catarem. Respondia orgulhosa que o Alex permitia. E era verdade. No final do dia, Marli juntava até 5Kg de latinha e no dia seguinte revendia para o Alex, na cara limpa, a sua própria latinha. Como falei antes, Alex não ligava.   Como moram...
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A VANTAGEM DA VANTAGEM FUMANTES OU NÃO, OS ETELIONATÁRIOS TEM CARISMA, CONVERSA E CONHECIMENTO DA ALMA HUMANA O estelionatário é o cara que se aproveita ou da fragilidade humana ou da sua ambição. Ele pode ser rico, pobre e de certa forma, o estelionato pode ter carteira assinada. Afinal, quem nunca adquiriu um serviço vendido por um vendedor, até de uma grande empresa famosa, e quando precisou, viu que não era nada disso? E ainda é um crime protegido pela vítima, pois o cara que caiu no golpe, sabe que, ao procurar uma delegacia, ou ele receberá um sabão do delegado ou um deboche doloroso dos policiais. Ninguém gosta de fazer papel de otário. AS CALADAS Estava eu sentada na calçada da rua, noite de verão, eu, uma amigas e o dono de uma madeireira que havia depois da ponte. Surgiu um gordo, com o amigo dele, oferecendo uma TV seminova por cento e vinte reais. Era o ínicio do plano real. Por toda a história do Brasil, o pobre teve pouco acesso a tecn...
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MINHA VIDA MINHA MORTE Nasci numa família de posses. Tive quarto e brinquedos. Porém com um cabresto curto e sufocante. Não podia brincar na rua, não podia ter amigos. Não podia gargalhar alto. Minha mãe uma senhora doente e stressada, meu pai um ignorante, a ponte de literalmente começar a relinchar dentro de casa. Nunca soube por quê ele fazia isso. Talvez por está puto com alguém, e o relincho dele seria a forma de ele agredir o causador desse seu stress. Foi na adolescência que percebi o que eu realmente me tornei. Uma destrambelhada social. Não namorei, não aproveitei o pouco tempo de beleza que tive, pois não sabia usar o cabelo, não sabia me vestir. Minha fase adulta foi um desastre. Perdi tudo. Até hoje, nada realizado. Meia idade, a velhice batendo a minha porta. Cheguei na fase onde homem nenhum quer me comer mais. O que espera dela? Nenhuma novidade. O mesmo de sempre. Isolamento total. Não sei se quero ter uma vida longa. ...