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TABU

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 QUEBRANDO TABU Lembro do Tabu na penteadeira da minha mãe. Em tempos de taxações absurdas e mercadorias proibidas de importação, (Não, eu não falo de tempos atuais!), eram os anos 70/80, Avon e Christian Gray dominava o móvel. Havia um que não foi vendido pela vizinha ou pela amiga da minha mãe. Nesses longínquos anos, o Tabu já era o perfume da vendinha da rua, da farmácia do João. E carregava a pecha de “perfume antigo”. Cheiro de vovó. Atualmente, é cheiro da bisa ou Tata. Pois quem ocupa atualmente o posto de “cheiro da vovó” é a Avon. Como descrever o Tabu? Forte, entretanto, íntimo  Penetrante Inebriante Eterno  Tabu é um segredo.  O perfume do pinguinho no dedo, e este, toca em cada orelha. Nunca mais vi o Tabu. Nunca comprei o Tabu. Mesmo ele custando menos de cinco reais na vendinha. Dizem que na década de 30, era o perfume que identificava as prostitutas. Adulta, nem pensava no Tabu. De vez em quando, quase alugava meus buracos em posto de gasolina pra co...

A MÁQUINA DE COSTURA DA MINHA MÃE - REMAKE

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  Décadas se passaram e atualmente, alcancei o auge da minha maturidade. Revisei conceitos,, comportamentos passados e até minha fé. Entretanto, embora me sinta arrependida da minha mesquinhez. De ter se desfeito de algo tão caro a minha mãe, a última lembrança física dos tempos áureos da família, digo que não foi gratuito. Não foi o comportamento de uma pobre menina rica e mimada. Quando somos crianças, é comum nos interessarmos por alguma arte/trabalho manual. O meu primeiro foi o crochê. Era bem criança, mas já conhecia meninas da minha idade que mandavam bem no crochê. Faziam porta moedas, paninho de penteadeira, chapeuzinho de boneca. Queria muito aprender.  A papelaria São Jorge abriu um curso de crochê gratuito. Era comum nos anos 80 papelarias abrirem esses cursos artesanais.  Implorei a minha mãe, mas ela não deixou. Levar e trazer a filha alguns dias de semana de um curso, nunca esteve em seus planos. Enquanto ela foi viva, nunca nem pude fazer trabalho de escol...

GAROTOS

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  GAROTOS Se virar, Catar, Vender e Brincar  Há reciclagens que vivem exclusivamente de crianças. Pode não fazer do ferro velho um grande sucateiro, mas alguns vivem bem com esse estigma. Na sucata, muita lata, vergalhão, cadeiras e carrinhos de bebê  Muito papelão, plástico e latinha. Não há muito dos materiais nobres como latão, bronze e cobre. Desde bem criança, testemunhei pequenos que, sabe-se onde, apareciam com o seu material pra vender. Quase sempre o pagamento era uma mixaria, porém o suficiente para pipas e doces. Às vezes me sentia culpada. Alguns mal vestidos e sujos, e eu limpa, bem vestida e alimentada. Entretanto, quase sempre invejava a liberdade. Afinal, eles viviam livres a caminhar pelas ruas, se embrenharem em matagais, lixeiras, a procura de um bem, que na minha situação daquela época era farta: dinheiro. Se quisesse doces, bastava pedir aos meus país. Daria todo meu conforto pela liberdade, e alegria das crianças, principalmente quando saíam saltitan...

Nasce Um Monstro

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 O copia e cola de hoje. Embora meu irmão tenha levado surras homéricas ao ser flagrado roubando os pais. Nesse episódio, ficou bem claro que em circunstâncias onde havia uma terceira pessoa, essa seria o bode. Ou (como filha nada preferida), acusar-me de causa e efeito dos atos de outrem, e humilhando-me para suas visitas, era muito mais confortável.😬😐😠 CRIANDO O MONSTRO Fui menina criada no cabresto pela mãe. Era da casa para escola da escola para casa. Amiguinhos, só as filhas da vizinha, que vinham a minha casa brincar, tempo e hora cronometrados. Uma vez elas ficaram duas semanas sem aparecer. Antes disso, elas passaram à tarde comigo, chegou a hora do banho, todas partiram para suas casas, depois voltaram todas felizes, suas mães permitiram voltar e ficar na minha casa até o início da novela das oito (que começava mesmo, nesse tempo as oito) “Sétimo Sentido” de Janete Clair. Entusiasmada, e achando que não haveria problema algum, abri o portão para elas. Viviane, a caçulin...
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  MOMENTOS BIZARROS DA VIDA DA ANITA VALORES Era bem criança, sentada no degrau da escada que levava à laje, entre alguma brincadeira com material reciclável, pensamentos fantástico de uma imaginação, fomentada na solidão de ser a única menina da família, e alheia ao que acontecia ao meu lado, barulho de martelo, conversas masculinas, fregueses sendo atendidos. Entra um senhor magro e alto, pele parda, calça jeans, camisa de botão, azul, atrás dele um garoto. Meu pai atendia os fregueses da sua varanda, esse homem nada trazia, mas foi logo se apresentando, falando quem era, sua reputação… Falava alto, porém sem ser agressivo, forte, gesticulava muito. Típico de palestrantes, hoje, “coach”, era seguro de si. Meu pai, surpreso, apenas escutava, de início sem entender nada. Obviamente, me chamou atenção o que acontecia. O homem queria dinheiro emprestado… Uma emergência que seria paga logo mais. Meu pai, além da reciclagem, possuía negócios que completavam a renda. Penhor, por um mome...