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Nasce Um Monstro

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 O copia e cola de hoje. Embora meu irmão tenha levado surras homéricas ao ser flagrado roubando os pais. Nesse episódio, ficou bem claro que em circunstâncias onde havia uma terceira pessoa, essa seria o bode. Ou (como filha nada preferida), acusar-me de causa e efeito dos atos de outrem, e humilhando-me para suas visitas, era muito mais confortável.😬😐😠 CRIANDO O MONSTRO Fui menina criada no cabresto pela mãe. Era da casa para escola da escola para casa. Amiguinhos, só as filhas da vizinha, que vinham a minha casa brincar, tempo e hora cronometrados. Uma vez elas ficaram duas semanas sem aparecer. Antes disso, elas passaram à tarde comigo, chegou a hora do banho, todas partiram para suas casas, depois voltaram todas felizes, suas mães permitiram voltar e ficar na minha casa até o início da novela das oito (que começava mesmo, nesse tempo as oito) “Sétimo Sentido” de Janete Clair. Entusiasmada, e achando que não haveria problema algum, abri o portão para elas. Viviane, a caçulin...

Amanda

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  AMANDA   “Às Vezes eu pensava que era filha de alguma amante do meu pai.” “Filho de urubu nasce branco.” "Você é piranha? Sou sim, saio com os homens das outras!" Amanda não gostava do seu sobrenome. Sempre respondia quando lhe perguntavam "Amanda Pavone", e se apresentava como realmente nossa irmã.   Algumas frases que ouvi da boca da Amanda, há outras bem mais pesadas, ofensivas, horrendas, mas preferi não escrever nesse epitáfio.   Epitáfio Epitáfio, pois Amanda morreu.   Fazia uns dois anos que não a via. Nos vimos pela última vez no início da pandemia. Batemos um papo ameno. Estava trabalhando na Fundação Oswaldo Cruz há quase uma década, chutou a bunda do negão que metia o cacete nela, quando eu perguntei por ele. Celebrava estar sozinha, que pela primeira vez tinha um cartão de crédito de 5000 reais, que em menos de uma década, ela se aposentaria. Amanda foi testemunha da minha infância, testemunha. Apesar de termos a mesma ida...
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OS MALUCOS E EU Meu pai tinha o costume de viajar pelos cantos de Mimoso do Sul, divisa com Espírito Santo, onde ele nasceu e viveu, e visitar seus parentes. Tias, tios e primos. Era um pouco chato. Eram casas que nunca tinham crianças, quando tinham elas eram arredias, na certa, filhos dos vizinhos, que tinham a sua atenção chamada pelo carro presente na casa ao lado. As vezes uma outra menina muito mais velha que eu, mas que por caridade, me chamava pra conversar ou brincar, mesmo com uma diferença grande de idade e mentalidade. Em uma delas, moravam duas mulheres. Não sei se realmente tinham parentesco conosco ou se era alguma afilhada de meu pai. Lembro que uma vez ele me disse que batizou um monte de meninas. Embora só mantivesse contato com duas: Rogney e minha prima Solange. As outras eram filhos de amigos e parentes dele que continuaram em Mimoso do Sul. Mais uma casa sem criança. Nessa não tinha, acho, nem eletricidade. Nem TV e nem rádio! Uma delas ...
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Um Recalque de Família Dona Maria foi uma das pessoas + insuportáveis que apareceu na minha vida. Como me arrependo hoje da paciencia que tive com ela. Uma velha decadente, difícil de se dar. Possuía um ódio inexplicável pela filha. A criticava desde o parto. Com os filhos homens, um alcoolotra diabético que perdeu a perna para a doença e outro muambeiro, nunca pegou pesado com eles. So em ver a foto da filha, já falava coisas ruins dela. Na juventude rogou uma praga ao seu irmão, definido por ela mesma como o preferido, o amigo, o irmão que amava verdadeiramente, por este ter se recusado a beber uma caipirinha feito por ela. Alegando ser casado e em breve pai. _Não dou um ano pra você tá morto! Dito e feito. Em um ano, morria seu amado irmão, devastado por um câncêr. Isso, pra um cara que ela amava! Apesar de tudo, ate hoje, a minha inexplicável paciência, gerou um fruto. Coisa rara e caríssima nos anos 80: um perfume importado...
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COMÉDIA DO PATRIARCADO PRIVADO Stand up Comedy Minha casa era uma eterna casa de comédia. No estilo Costinha, Ary Toledo. Comediantes que faziam sucesso com seus discos ou fitas cassetes com piadas cabeludas. Era o meu pai, meu irmão, meu tio e até uma visita, que quando se uniam na varanda ou sala de estar, danavam-se a contar piadas e todos explodiam em altas risadas. A mais poderosa era a do meu pai. Dava pena do desavisado ao seu lado que quase sempre se afastava tampando os ouvidos doídos por causa da poderosa garganta do velho Argemiro. Enquanto ele gargalhava, ao mesmo tempo (sempre), ele afastava uma das pernas, a levantava levemente e roçava o pinto com a mão, (por cima da roupa, claro!). Era muito legal. Era divertido. Então um dia, quis fazer parte da algazarra, da alegria. Entrei na roda e contei a minha piada. Bem pesada, cabeluda, pura sacanagem explícita. Ri sozinha... Todos me olharam com olhos de reprovação, cara feia, indignados. _Com q...