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O CASO SAMIRA Samira era uma mulher de mais de 40 anos, ao menos era isso que ela aparentava. Uma recém entusiasta do candomblé. Seu irmão caçula, o Pai Gilberto, estava batendo o cartão, no barracão da famigerada Dona Eulina. Ele promoveu uma pequena revolução no barracão da mãe de santo. Como por exemplo, na lista de compras das obrigações e feituras. Ao ver a lista, ele foi taxativo: _Mãe Eulina, ninguém tem condições de bancar essa lista! Era saca de arroz, saca de feijão, dezenas de garrafa de óleo, uns 40 quilos de açúcar, e todos da marca específica escolhida por ela. Se o açúcar não fosse União, por exemplo, ela fazia um escândalo, devolvia tudo e cancelava o início dos trabalhos. Fora o pagamento pelo serviço em dinheiro, que era caríssimo, acho que em valores de hoje, não menos que 5 mil reais. O seu barracão era onde mais tinha filhos pendentes em obrigações. A impressão que tinha, era que Samira era meia irmã de Gilberto e Roberta, pois a difere...
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MOMENTOS BIZARROS DA VIDA DA ANITA A Macumba de Vigário Geral Não sei precisar se isso aconteceu antes ou depois daquela chacina horrorosa, onde policiais invadiram uma favela em Vigário Geral, atirando a esmo, em pessoas inocentes, onde famílias inteiras foram executadas, em vingança ao assassinato de policiais no dia anterior. Mas foi por aí, no comecinho dos anos 90. Dona Eulina, iria tocar uma macumba no barracão da sua nova filha de santo. Um tipo de filho chamado de “enxerto” entre o meio. Filhos de santos iniciados e raspados em outras casas, e que acabam saindo desta, fazem suas obrigações em outras. Eulina convocou seus filhos a irem também, Rosa, como sempre, a contragosto foi. Ao chegarmos, a macumba ainda não havia iniciado, não por esperarem Eulina, mas porque a casa não tinha ogãs. Casa que não tem ogã, fica dependendo de ogãs de outras casas. A maioria, só comparece nesses casos, se forem pagos para isso. Ninguém apareceu, o jeito foi ape...