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O ESPELHO   Quando eu era criança, havia em todos os mercados, até mesmo em grandes redes da época, como as Sendas, atual Extra, um macarrão que era vendido a granel. Você pedia para o atendente, e ele colocava dentro de um saco de papel, o quilo pedido. Era um macarrão sem marca, e que possuía todos os tipos de macarrão. Obviamente não podia escolher, pois estava tudo misturado: espaguete, parafuso, ninho, talharim, canelone, concha e outros “macarrãozinhos de sopa”. Era bem baratinho e sempre havia uma dona de casa comprando dele. Não temo em dizer que esse macarrão, oriundo de embalagens rasgadas e de massas próximas do vencimento: Nunca matou alguém.   Infelizmente ele desapareceu. Provavelmente sob os rigores da vigilância sanitária. A mesma que ordena que legumes em vias de vencimento sejam jogados no lixo e não doados. A mesma que implica com os queijos caseiros. Sim, precisamos dela, embora o abuso de poder e o excesso de regulações seja basicamen...
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  CONSTRUINDO O FEIO Dizem que o feio não nasce. Torna-se.   Pessoas ditas feias podem não se sentirem assim, mesmo que um ou outro babaca comente com seus amigos o quanto ela é feia. Contudo, sabemos que esses comentários, essas “opiniões” não são gratuitas. Quando a pessoa é feia e se senti assim, ninguém comenta ou critica. Haverá piadas de gente sem graça, mas quando um ser faz questão de espalhar a sua opinião sobre a aparência de alguém, fomentar comentários reprovativos a sua beleza entre os e os não seus, mesmo que ele, de forma fria e estética, esteja dizendo o óbvio, não é a feiura que lhe incita tantas narrativas.   É o fato da feia não se sentir feia. Ser segura, ser vaidosa, ter namorado e/ou pagar suas contas sozinha. Vou me restringir a feiura feminina, afinal, homem não nasce feio, nasce pobre, homem não envelhece, troca de esposa.   Seguindo a maré:   Construindo o feio:   Nascer mulher. A partir do nascimento, não lev...