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O CASO SAMIRA Samira era uma mulher de mais de 40 anos, ao menos era isso que ela aparentava. Uma recém entusiasta do candomblé. Seu irmão caçula, o Pai Gilberto, estava batendo o cartão, no barracão da famigerada Dona Eulina. Ele promoveu uma pequena revolução no barracão da mãe de santo. Como por exemplo, na lista de compras das obrigações e feituras. Ao ver a lista, ele foi taxativo: _Mãe Eulina, ninguém tem condições de bancar essa lista! Era saca de arroz, saca de feijão, dezenas de garrafa de óleo, uns 40 quilos de açúcar, e todos da marca específica escolhida por ela. Se o açúcar não fosse União, por exemplo, ela fazia um escândalo, devolvia tudo e cancelava o início dos trabalhos. Fora o pagamento pelo serviço em dinheiro, que era caríssimo, acho que em valores de hoje, não menos que 5 mil reais. O seu barracão era onde mais tinha filhos pendentes em obrigações. A impressão que tinha, era que Samira era meia irmã de Gilberto e Roberta, pois a difere...

HERANÇA

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HERANÇA O sol partia Ao chão caia E minha vida revia O sofrimento do parto O frio O grito A primeira surra Porque de noite não dormia De dor e fome, sofria Sinto meu corpo crescer O chão, meus pés conhecer Apanhei porque novamente chorei Medo de rir Medo de falar Medo de brincar Apanhava todo dia Porque não me desenvolvia Vizinhas, avós e tia Pouco de mim fazia A primeira surra (?) Que não foi do meu pai E nem da minha mãe Do meu avô Da babá e da minha tia Era de um garoto da escola Que de porrada me cobria Minha mãe se drogava Meu pai bebia Meus irmãos brincavam Enquanto de casa fugia Muitos caminhões eu carreguei Banheiros eu limpei E em todos os dias que passei Os livros não larguei Estudei, me formei Me viram Os avisaram Eu fui encontrado Apareceram Pai, irmãos, passarinho e gato Na minha casa esmurrando a porta Gritando em brado Os ignorei Apenas os animais entrar...