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CORPO DOURADO

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  _Se você está morta, por que não aparenta... _O que esperavas? Um buraco na cabeça? Sou uma mulher, tomei veneno pra ratos e dúzias de caixa de calmante, num coquetel com suco de laranja e remédio pra baixar pressão. _Não acredito! _Presta atenção em mim cara. Desconfiado de uma piada sem graça ele fica cara a cara com a estranha, que sabe lá como, subiu no seu apartamento e bateu na sua porta. Porteiros de merda! Ficam nariz com nariz, depois se afasta em um passo, olha seu corpo delicado. Uma roupa austera. Tecidos finos, saia abaixo do joelho, babados na camisa. _Você é cafona! _Anos 80 meu amigo. Foi quando a moda começou a decair. Ele dá mais um passo, a crítica foi apenas uma fuga para sua conclusão que de primeiro ele não acredita. _Você não respira... -Balbucia Esse foi o fator mais evidente. Mais atento e mais calmo, ele reparou nos seus olhos sem vida, sem brilho, ela não pisca, sua cor pálida. Dá mais um passo para trás. Levanta a faca, tremendo...
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O BATE-BOLA Se nos países de língua saxônica, existe o Dia das Bruxas, que é o dia em que um portal se abre para que almas do submundo caminhem sobre a terra. No Brasil, embora sem a consciência de todos, temos o carnaval. A festa da carne. A festa pagã, condenada pelos cristãos, amada pelos pagãos e pelos cristãos-umbandonblezistas, que antes dele, fazem os seus ebós de limpeza e proteção e depois dele, vão para a missa de quarta-feira de cinzas receberem as bênçãos do padre. No carnaval, quem não deve, não teme, e sai à rua para pular a sua alegria, quem deve, sai assim mesmo, porque são apenas quatro dias por ano e não dá pra se esconder nos dias em que o país inteiro sai às ruas para brincar. Rosana tomou um verdadeiro pavor do carnaval. Diz que estava entre a multidão na grande festa, toda feliz a cantar, bailar com a sua cerveja na mão, quando um desconhecido que estava ao seu lado, cai duro no chão, atingido por um tiro. Tiro que ninguém ouviu. Atir...
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CIRANDA CIRANDINHA Fui ao inferno Buscar o meu chapéu Vermelho e preto Da cor deste céu Ouço os gritos de terror Meus pés não se queimam Caminhando neste ardor Onde está o meu chapéu? Ninguém me diz nada? Olha a roda (que) roda roda roda Olha o pé pé pé Se no inferno aqui caminhas Condenado você é Condenados são aqueles Que afundam na maré As brasas não me queimam E atrás do meu chapéu Caminho pela lava a pé Mergulho no mar de fogo Fervente com afogados a gritar Não sou uma condenada Uma criança entre almas a penar Condenados não me fazem parar Saia enquanto é tempo Ele roubou para te atrair Doce, ingênua criança Nas armadilhas do diabo  Vai cair Afundada no mar de fogo Meu corpo queima como brasa Não sinto dor Ele brilha como uma lamparina Extasiada, começo a dançar como bailarina Criança, não zombe do demônio Em algum lugar ele gargalha Com o seu chapéu Ele acredita que essa luta já venceu...