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  MOMENTOS BIZARROS DA VIDA DA ANITA VALORES Era bem criança, sentada no degrau da escada que levava à laje, entre alguma brincadeira com material reciclável, pensamentos fantástico de uma imaginação, fomentada na solidão de ser a única menina da família, e alheia ao que acontecia ao meu lado, barulho de martelo, conversas masculinas, fregueses sendo atendidos. Entra um senhor magro e alto, pele parda, calça jeans, camisa de botão, azul, atrás dele um garoto. Meu pai atendia os fregueses da sua varanda, esse homem nada trazia, mas foi logo se apresentando, falando quem era, sua reputação… Falava alto, porém sem ser agressivo, forte, gesticulava muito. Típico de palestrantes, hoje, “coach”, era seguro de si. Meu pai, surpreso, apenas escutava, de início sem entender nada. Obviamente, me chamou atenção o que acontecia. O homem queria dinheiro emprestado… Uma emergência que seria paga logo mais. Meu pai, além da reciclagem, possuía negócios que completavam a renda. Penhor, por um mome...
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A CRUZ INVERTIDA DO SUBCONSCIÊNTE E O ENIGMA PENHA   Minha mãe sempre dizia que, quando Penha deixou de trabalhar na nossa casa, eu fiquei três dias em febre. Que eu era apegada a ela. Poderia ser muito criança, entretanto, eu lembro da Penha. Infelizmente não são boas coisas. Das torturas psicológicas que meu irmão fazia, coisa de irmão, tipo, ele fazer uma voz cavernosa e ameaçar do Hulk (o original da série de TV dos anos 70) vir me pegar. Do Almir me fazendo chorar por qualquer coisa assim parecida, eu baixinha, olhando para ela e Penha rindo de mim me encarando com seus olhos. Atravessando uma ponte, que passa por cima de um rio podre, aqui perto de casa, Almir me pegou pelos braços e me pendurou fora dela, me ameaçando jogar no podre Sarapuí. Ela com sua risada que soava como “risada malvada” de bruxa. Porém existiram bons momentos, eu deveria ser realmente apegada a Penha, porém, foram completamente apagados da minha memória. Não lembro desse apego, d...

Benjamin e Rebeca

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Benjamin e Rebecca Benjamin não conheceu a sua mãe. Conheceu várias candidatas a sua mãe, mesmo na sua jovem vida, oito anos. Mulheres que apareciam na casa de seu pai, ficavam alguns meses ou anos, e partiam. Essas despedidas quase sempre surpresas, pois a maioria simplesmente desaparecia de sua casa, quase sempre o fazia sofrer. Teve mulheres que, quando Benjamin não a via mais em sua casa, o fazia chorar. _Pai, cadê a mãe Madalena? Seu pai, seco, importunado pela pergunta, respondia: _Ela não mora mais com a gente. Benjamin danou-se a chorar na mesa do café. Madalena foi a única namorada do papai por quem ele realmente se apaixonou, aquele amor de menino, por sua mãe. As outras eram frias, o ignoravam, tinha até as amáveis, somente quando seu pai estava por perto. _Larga de ser maricas! Ela não era sua mãe! Depois da escola, vá direto para a sua avó. Era a avó materna de Benjamin. Era meio que uma avó robô. Dava comida, banho, respondia as pergunta...