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GAROTOS

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  GAROTOS Se virar, Catar, Vender e Brincar  Há reciclagens que vivem exclusivamente de crianças. Pode não fazer do ferro velho um grande sucateiro, mas alguns vivem bem com esse estigma. Na sucata, muita lata, vergalhão, cadeiras e carrinhos de bebê  Muito papelão, plástico e latinha. Não há muito dos materiais nobres como latão, bronze e cobre. Desde bem criança, testemunhei pequenos que, sabe-se onde, apareciam com o seu material pra vender. Quase sempre o pagamento era uma mixaria, porém o suficiente para pipas e doces. Às vezes me sentia culpada. Alguns mal vestidos e sujos, e eu limpa, bem vestida e alimentada. Entretanto, quase sempre invejava a liberdade. Afinal, eles viviam livres a caminhar pelas ruas, se embrenharem em matagais, lixeiras, a procura de um bem, que na minha situação daquela época era farta: dinheiro. Se quisesse doces, bastava pedir aos meus país. Daria todo meu conforto pela liberdade, e alegria das crianças, principalmente quando saíam saltitan...

Elay O Sucateiro

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Como já avisei, estou sem notebook , e não devo tão cedo comprar outro, entretanto, publicarei aqui contos e crônicas de quando esse blog pertencia a um outro hospedeiro, que, apesar da página acabar, sem saber e sem querer, alguns textos estão na nuvem, pena que a saga que escrevia foi por água abaixo, assim como o pen drive que possuía esses arquivos. Se a comunidade quiser se reunir, fazer uma vaquinha ou me doar um notebook usado, fiquem a vontade.  ELAY Elay é sucateiro, tem um depósito de reciclagem mediano. Cheguei a fazer negócios com ele, infelizmente não foi muito bom, e nem sempre por causa dele, em outros, a culpa era dele. Uma vez enviei uma carga de ferro, a diferença entre a minha balança e a dele foi mais de meia tonelada. Um cara culpou a sua mãe, hoje falecida. Era ela que trabalhava no ferro-velho, Elay ficava na rua com o caminhão comprando e vendendo sucata. Um cara a chamava de “crente ladrona”. Porque se sentiu garfado nas vendas de recicláveis que havia feit...
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COPACABANA Fiquei surpresa quando descobri que Rosa, há quase vinte anos, possuía um ponto nas areias de Copacabana. Era situada em frente ao posto 4, hoje, basta descer na estação do metrô e caminhar à praia que encontrávamos a sua barraca. Nela conheci personagens reais, comuns em todo lugar, mas que foi o meu primeiro contato com gente da Zona Sul do Rio de Janeiro. Ao todo, me decepcionei. Eram tão pobres como eu. Rosa me explicou que Copacabana era o subúrbio da Zona Sul. O bairro é recheado com prédios cujos apartamentos são minúsculos. Pequenos mesmo. Em suma alugados. Um aluguel, para os padrões da Baixada, caro, porém, valia à pena: perto do trabalho, próximo ao mar... Flor foi a freguesa da Rosa que mais me chamou a atenção. Beirando os quarenta anos, porém, vinte anos de sol, a envelheceu mais que o devido, era loira “verdadeira” com cabelo liso e ralo, baixinha, no peso ideal. Pelas suas costas o povo fazia escárnio da mulher: Vinte anos de pra...