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  MOMENTOS BIZARROS DA VIDA DA ANITA Os Cachorros-Quentes de Zenaide Remake   Chegou o momento de pagar os cachorros-quentes que comi fiado na barraquinha dela. Como era segunda-feira, ela não estava na sua barraquinha de verduras em frente ao mercado Vienense do Farroula.   Então fui à sua casa. Eram tempos que passeava pela região quase todos os dias e em todos os horários. Havia muitas macumbas nesses cantos de Largo da Baiana, Farroula, Andrade Araújo, Nova Aurora e outros cafundós que atualmente, não tenho a menor ideia de onde é e de como chegar lá.   Hoje tá tudo mudado. Ruas foram asfaltadas ou deixaram de existir, casas derrubadas, muitas macumbas fechadas. Acho que mais da metade da metade ainda existem.   Chegando no seu portão, foi a sua mulher que me atendeu, a Zoraide. Não éramos amigas, mas parecia haver intimidade suficiente para que ela me convidasse a entrar: _Entra! Toma um café com a gente! A Rosa (uma amiga em comum) ...
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O ESPELHO   Quando eu era criança, havia em todos os mercados, até mesmo em grandes redes da época, como as Sendas, atual Extra, um macarrão que era vendido a granel. Você pedia para o atendente, e ele colocava dentro de um saco de papel, o quilo pedido. Era um macarrão sem marca, e que possuía todos os tipos de macarrão. Obviamente não podia escolher, pois estava tudo misturado: espaguete, parafuso, ninho, talharim, canelone, concha e outros “macarrãozinhos de sopa”. Era bem baratinho e sempre havia uma dona de casa comprando dele. Não temo em dizer que esse macarrão, oriundo de embalagens rasgadas e de massas próximas do vencimento: Nunca matou alguém.   Infelizmente ele desapareceu. Provavelmente sob os rigores da vigilância sanitária. A mesma que ordena que legumes em vias de vencimento sejam jogados no lixo e não doados. A mesma que implica com os queijos caseiros. Sim, precisamos dela, embora o abuso de poder e o excesso de regulações seja basicamen...