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  MOMENTOS BIZARROS DA VIDA DA ANITA VALORES Era bem criança, sentada no degrau da escada que levava à laje, entre alguma brincadeira com material reciclável, pensamentos fantástico de uma imaginação, fomentada na solidão de ser a única menina da família, e alheia ao que acontecia ao meu lado, barulho de martelo, conversas masculinas, fregueses sendo atendidos. Entra um senhor magro e alto, pele parda, calça jeans, camisa de botão, azul, atrás dele um garoto. Meu pai atendia os fregueses da sua varanda, esse homem nada trazia, mas foi logo se apresentando, falando quem era, sua reputação… Falava alto, porém sem ser agressivo, forte, gesticulava muito. Típico de palestrantes, hoje, “coach”, era seguro de si. Meu pai, surpreso, apenas escutava, de início sem entender nada. Obviamente, me chamou atenção o que acontecia. O homem queria dinheiro emprestado… Uma emergência que seria paga logo mais. Meu pai, além da reciclagem, possuía negócios que completavam a renda. Penhor, por um mome...
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O NATAL DE POLIANDRA Quando eu era criança, o costume da minha família era toda ela se reunir na casa dos meus pais. Os mais bem sucedidos do clã. Apenas um tio que era tão bem sucedido quanto e algumas irmãs da minha mãe não compareciam na data, estas por preferirem passarem o natal na delas, avessas a aglomerações muita das vezes forçada entre parentes. Havia um casal de primos que só via nessa data. Alexandro, um pouco mais novo que o meu irmão caçula e minha prima Gisele um pouco mais velha que eu e minhas outras primas. Alexandro ficava com meu irmão, mas sempre que seu pai abria uma oportunidade de ter criança (homem) por perto dos adultos, colava na aba do pai. Gisele era uma chata, e desde os onze anos já se sentia uma “moça”, não participava das brincadeiras, não tomava banho de borracha e não saía de perto das asas da mãe. Seu papo era sempre o mesmo: o de quanto se divertiu com os adultos (mulheres) na cozinha. Homens na sala bebendo e mulheres na ...
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COPACABANA Fiquei surpresa quando descobri que Rosa, há quase vinte anos, possuía um ponto nas areias de Copacabana. Era situada em frente ao posto 4, hoje, basta descer na estação do metrô e caminhar à praia que encontrávamos a sua barraca. Nela conheci personagens reais, comuns em todo lugar, mas que foi o meu primeiro contato com gente da Zona Sul do Rio de Janeiro. Ao todo, me decepcionei. Eram tão pobres como eu. Rosa me explicou que Copacabana era o subúrbio da Zona Sul. O bairro é recheado com prédios cujos apartamentos são minúsculos. Pequenos mesmo. Em suma alugados. Um aluguel, para os padrões da Baixada, caro, porém, valia à pena: perto do trabalho, próximo ao mar... Flor foi a freguesa da Rosa que mais me chamou a atenção. Beirando os quarenta anos, porém, vinte anos de sol, a envelheceu mais que o devido, era loira “verdadeira” com cabelo liso e ralo, baixinha, no peso ideal. Pelas suas costas o povo fazia escárnio da mulher: Vinte anos de pra...