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GAROTOS

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  GAROTOS Se virar, Catar, Vender e Brincar  Há reciclagens que vivem exclusivamente de crianças. Pode não fazer do ferro velho um grande sucateiro, mas alguns vivem bem com esse estigma. Na sucata, muita lata, vergalhão, cadeiras e carrinhos de bebê  Muito papelão, plástico e latinha. Não há muito dos materiais nobres como latão, bronze e cobre. Desde bem criança, testemunhei pequenos que, sabe-se onde, apareciam com o seu material pra vender. Quase sempre o pagamento era uma mixaria, porém o suficiente para pipas e doces. Às vezes me sentia culpada. Alguns mal vestidos e sujos, e eu limpa, bem vestida e alimentada. Entretanto, quase sempre invejava a liberdade. Afinal, eles viviam livres a caminhar pelas ruas, se embrenharem em matagais, lixeiras, a procura de um bem, que na minha situação daquela época era farta: dinheiro. Se quisesse doces, bastava pedir aos meus país. Daria todo meu conforto pela liberdade, e alegria das crianças, principalmente quando saíam saltitan...

O BIZARRO TIO EUCLIDIO

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 Olha só, povo infiel. Com tempo, sem nada pra fazer, com tudo a perder e sem fumar.... Escrevi um texto no celular. Estava com muita paciência. Horas sem nicotina dá nisso? Texto sem compromisso, sem ligações com nada e sem nada a dizer. Entretanto, há coisas que desejaria registrar antes de morrer. O sinistro tio EUCLIDIO é uma delas. Infelizmente, o fato de ele ser um parente meu, é assustador. O título deveria ser : EUCLIDIO, O MENTOR DE LENINHA! O BIZARRO TIO EUCLIDIO O falecido tio Ito, a desaparecida prima Kátia e o dedo do Almir na lente. Nobre em queimar ou estragar todas as fotos da família. E pensar que na primeira vez que bati uma foto,meu pai prometeu me bater se ela queimasse. Chorei pelo resto do Natal... Minha família teve nomes que você jamais ouvirá por aí. Jales Juaci Ciro  Esses próximos são ainda mais estranhos, até pra quem é da antiga geração Erpidio - Esse não é bem família, foi o pastor/cafajeste/Padrasto da minha mãe/marido da minha avó: Umbelina Eucl...

Epitáfio

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  ESSE TEXTO É UMA FICÇÃO SE ESTÁ PASSANDO POR PROBLEMAS PROCURE AJUDA NÃO ESTOU INSPIRANDO NINGUÉM Encontre ajuda Fale com um dos nossos voluntários hoje Centro de Valorização da Vida Disponível 24 horas por telefone e no seguinte horário por chat: Dom - 17h à 01h, Seg a Qui - 09h à 01h, Sex - 15h às 23h, Sáb - 16h à 01h.  Saiba mais 188 EPITÁFIO   Eu queria... Eu não fiz Eu sonhei demais Fiz planos A Eles deram errado Perdida, confusa, desnorteada, não tive plano B Segui os planos da vida, e mesmo nestes, eu fracassei Não sou uma pessoa forte Fui alguém que caminhou a vida mancando, com ossos quebrados Reclamando chorando Eu tive a opção revoltar, lutar Achava que lutava Algumas lutas iniciei Fui nocauteada Levantei, caí, escorreguei Não há culpados Não culpo a vida Vida vivida Chorei mais que ri Embruteci Eu não queria   Estou tão cansada Chegou o momento que tanto temia Virei um fardo para as pessoas que de um j...

Os Figurantes

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Os Figurantes Hoje eu revi o vendedor de mel. Bem diferente do que sempre foi. Em vez de ativo, cheio de energia, dando suas voltas em torno da cidade com sua garrafa na mão e alardeado os pedestres com seu grito Olha o mel! Ele estava estático, tímido, sussurrava: Olha o mel... Que sua ausência de entusiasmo seja passageira. Já vi esse filme antes, várias vezes, em idosos principalmente, e ele não termina bem. Lembro de um velhinho, bem idoso, negro, magro, alto, porém, as costas e as pernas curvadas, apequenaram sua altura, rodava o centro de Bel, começando bem cedo, com um saco de bananada na mão, a oferecer seu doce, entre os pedestres e os clientes das lojas. Não gritava, oferecia no sussurro ou estendendo a mão com o doce para um potencial cliente. Sempre sorrindo. Vendedores assim, acabam virando referência de suas cidades e moradores, ao ponto de acreditarmos que são imortais.  Ate chegar o dia em que eles não aparecem mais. Desaparece...