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A CRUZ INVERTIDA DO SUBCONSCIÊNTE E O ENIGMA PENHA   Minha mãe sempre dizia que, quando Penha deixou de trabalhar na nossa casa, eu fiquei três dias em febre. Que eu era apegada a ela. Poderia ser muito criança, entretanto, eu lembro da Penha. Infelizmente não são boas coisas. Das torturas psicológicas que meu irmão fazia, coisa de irmão, tipo, ele fazer uma voz cavernosa e ameaçar do Hulk (o original da série de TV dos anos 70) vir me pegar. Do Almir me fazendo chorar por qualquer coisa assim parecida, eu baixinha, olhando para ela e Penha rindo de mim me encarando com seus olhos. Atravessando uma ponte, que passa por cima de um rio podre, aqui perto de casa, Almir me pegou pelos braços e me pendurou fora dela, me ameaçando jogar no podre Sarapuí. Ela com sua risada que soava como “risada malvada” de bruxa. Porém existiram bons momentos, eu deveria ser realmente apegada a Penha, porém, foram completamente apagados da minha memória. Não lembro desse apego, d...
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  EXU O BONZINHO   Eu escreverei aqui as minhas vivências e testemunho dos tempos em que frequentei templos de religião afro-brasileira. Como devota e cliente, porém, nunca como filha de alguém. Por graças, eu nunca quis, e foi uma das poucas decisões acertadas na minha vida. Falarei de um dos exus mais controversos que conheci. As Marias Molambos. Uma delas nem falava mais comigo, quando me recusei a fazer um trabalho receitado por ela.   Molambo das Setes Encruzilhadas eu conheci em duas cabeças. Nas duas ela fez estragos. Em uma delas escravizou o seu “cavalo”, embora Tia Maura jamais tenha se rendido às suas vontades. Mesmo com a Molambo a jogando nua na lama e na rua. Mesmo com a Molambo fazendo-a desaparecer e ser achada entre mendigos. Tia Maura quando queria um pouco de paz, de vez em quando cedia e fazia as vontades da sua pombagira e logo abandonava. Tia Maura morreu seca, cega e travada na cama, sendo que antes disso tudo acontecer, a pombagira ...
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O PRIMEIRO ASSALTO   Foi o primeiro assalto que minha família sofreu. Era muito criança. Eu e meu irmão Alex, almoçávamos na sala, com minha tia Leninha, que na época trabalhava como doméstica na nossa casa. Vi meu pai, um freguês e o filho dele, meus irmãos mais velhos e meu tio Ito, todos entrando em fila. Meu tio foi o último a entrar em casa, por isso havia um homem logo atrás com um revolver na sua cabeça. Não tinha noção do perigo que corria. Todos foram trancados em quartos e banheiro. Um dos ladrões ficou conosco e a minha tia na sala. Estávamos com o prato na mão. O assalto de certa forma foi demorado. Lembro do bandido ameaçar matar eu e meu irmão e minha tia se ajoelhando, implorando por nossas vidas. Ficamos quietinhos. Os sentimentos que tenho nessa situação, é... Indiferença? Sabe a sensação de olhar uma enorme equação matemática e não entender nada? Não me lembro de medo, porém, minha mente pode ter bloqueado essa lembrança. Os assaltantes se foram. N...

De Quem é a Sorte, afinal?

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DE QUEM É A SORTE, AFINAL? Catia Maria caminhava em direção ao bar, para fumar um varejo do Paraguai. A vida anda difícil, ela cortou o máximo de despesas possível. Adotou a horrenda dieta vegana de pobre. Sabemos que veganos usam em suas receitas, ingredientes caros, que nunca estão na feira. Catia Maria como vegana pobre, só come aquilo que tem na feira ou na xepa do CEASA. Quando tem um extra, manda a dieta vegana pra PQP e come ovos de granja. É só esquecer a definição dos veganos dada a eles: menstruação de galinha.  E viva o carro do ovo! Há alguns anos ela não compra mais roupas novas. Tudo brechó, do sapato ao sutiã. Uma vez a dona da barraquinha lhe ofereceu biquini, mas ela ficou com nojo... Faz sua manicure. Não vendeu seu secador e sua chapinha, para fazer o cabelo de vez em quando, tratando-o com receitas da vovó, como maionese com ovo. Eventos somente os 0800, coleciona amostras grátis de perfume. Nunca mais jogou fora as lascas de sabão ou ...
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TEM VEZ QUE ATÉ DUVIDO... Tenho altos e baixos. Muito mais baixos que altos; muito mais choros de sorrisos, porém estou aqui. Chorando internamente, rindo, gargalhando externamente. Não permita que o mundo veja sua tristeza, também, não grite a sua alegria. O tema aqui, não são as coisas que me fazem triste e alegre. O tema é outro. Vou falar de corpo. Talvez alma. Ela existe? Ela só passa a existir quando morremos? Corpo e alma são um só em vida? Tem momentos que tudo que quero e me encolher no chão, sob uma cama ou uma grossa camada de cobertores. Quietinha, tremendo de medo, de ansiedade... Punhos cerrados, dentes trincados. Tudo me faz chorar! O irritante é que não há nenhum motivo externo pra isso. Eu não perdi a minha família, O emprego, Os amigos O mundo não vai acabar... Meu corpo que me ordena. Hormônios que se enfurecem, serotonina que desaparece, ligações neurais que falham. Não tem nada a ver com alma. É carne, é sangu...