A Triste História de Ciro O velho Ciro estava em franca decadência financeira. Acreditando que o problema fosse o ferro-velho, que não rendia mais como antes, ele tentou diversificar seus negócios. Um deles foi um bar que ele alugou. O ponto parecia bom. Ao lado de uma escola, de frente a uma maternidade, no centro de Bel. No fundo, o que Ciro queria era encaminhar os dois filhos mais velhos. Todos formados, barbados, um deles até casado, que de “presente”, ganhou o direito de receber os aluguéis de uma cabeça de porco que a família havia comprado anos antes. Ambos não quiseram fazer faculdade, continuaram todos, “trabalhando” com o pai na reciclagem. “Empregados” caros que só davam prejuízo. A fartura do bar durou pouco. Seus maiores clientes, eram de uma indústria química, infelizmente, a mesma abriu concorrência para pequenos comerciantes em seu parque industrial, e agora, os funcionários almoçam nos restaurantes de dentro da empresa. O bar ficou legado à...
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HERANÇA
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HERANÇA O sol partia Ao chão caia E minha vida revia O sofrimento do parto O frio O grito A primeira surra Porque de noite não dormia De dor e fome, sofria Sinto meu corpo crescer O chão, meus pés conhecer Apanhei porque novamente chorei Medo de rir Medo de falar Medo de brincar Apanhava todo dia Porque não me desenvolvia Vizinhas, avós e tia Pouco de mim fazia A primeira surra (?) Que não foi do meu pai E nem da minha mãe Do meu avô Da babá e da minha tia Era de um garoto da escola Que de porrada me cobria Minha mãe se drogava Meu pai bebia Meus irmãos brincavam Enquanto de casa fugia Muitos caminhões eu carreguei Banheiros eu limpei E em todos os dias que passei Os livros não larguei Estudei, me formei Me viram Os avisaram Eu fui encontrado Apareceram Pai, irmãos, passarinho e gato Na minha casa esmurrando a porta Gritando em brado Os ignorei Apenas os animais entrar...