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A MÁQUINA DE COSTURA DA MINHA MÃE - REMAKE

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  Décadas se passaram e atualmente, alcancei o auge da minha maturidade. Revisei conceitos,, comportamentos passados e até minha fé. Entretanto, embora me sinta arrependida da minha mesquinhez. De ter se desfeito de algo tão caro a minha mãe, a última lembrança física dos tempos áureos da família, digo que não foi gratuito. Não foi o comportamento de uma pobre menina rica e mimada. Quando somos crianças, é comum nos interessarmos por alguma arte/trabalho manual. O meu primeiro foi o crochê. Era bem criança, mas já conhecia meninas da minha idade que mandavam bem no crochê. Faziam porta moedas, paninho de penteadeira, chapeuzinho de boneca. Queria muito aprender.  A papelaria São Jorge abriu um curso de crochê gratuito. Era comum nos anos 80 papelarias abrirem esses cursos artesanais.  Implorei a minha mãe, mas ela não deixou. Levar e trazer a filha alguns dias de semana de um curso, nunca esteve em seus planos. Enquanto ela foi viva, nunca nem pude fazer trabalho de escol...
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   BURCOSKA SOLTA O VERBO II Damiana A Virgem de 36 Anos Nessa vida morta que tive, conheci pessoas parecidas comigo, porém, diferente de mim, encontraram suas tampas de panelas. Embora não tenha sido nada fácil. Damiana e eu somos da mesma geração. Sem conversas sobre sexo com a mãe. Pai repressor, filhos vigilantes, famíla que sempre a cobrava pelos namoradinhos nas reuniões, porém, ao mesmo tempo que criava todos os empecilhos para iniciar ou ter um relacionamento ou namorico qualquer. Ela dizia que seis horas da noite devia ficar trancafiada em casa, dentro do quarto. Seu quarto possuía banheiro ,TV e videocassete. Às oito da noite saía pra jantar, inquirições básicas do pai e da mãe sobre a escola. Um elogio pelas notas e uma reclamação básica principalmente da mãe. “Não gosto das suas amigas de colégio.” “Te viram na lanchonete da rua da escola, rodeada de meninos.” Ela e os irmãos estudavam na mesma escola… O pai de Damiana era o pai antigo, a geração que mais criou fil...

Amanda

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  AMANDA   “Às Vezes eu pensava que era filha de alguma amante do meu pai.” “Filho de urubu nasce branco.” "Você é piranha? Sou sim, saio com os homens das outras!" Amanda não gostava do seu sobrenome. Sempre respondia quando lhe perguntavam "Amanda Pavone", e se apresentava como realmente nossa irmã.   Algumas frases que ouvi da boca da Amanda, há outras bem mais pesadas, ofensivas, horrendas, mas preferi não escrever nesse epitáfio.   Epitáfio Epitáfio, pois Amanda morreu.   Fazia uns dois anos que não a via. Nos vimos pela última vez no início da pandemia. Batemos um papo ameno. Estava trabalhando na Fundação Oswaldo Cruz há quase uma década, chutou a bunda do negão que metia o cacete nela, quando eu perguntei por ele. Celebrava estar sozinha, que pela primeira vez tinha um cartão de crédito de 5000 reais, que em menos de uma década, ela se aposentaria. Amanda foi testemunha da minha infância, testemunha. Apesar de termos a mesma ida...

Ajudar alguém Sem perguntar quem?

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AJUDAR ALGUÉM SEM PERGUNTAR  QUEM?     Sabe quando você ajuda uma pessoa de coração, sem esperar por retorno nenhum, e ainda assim se decepcionar ou se arrepender de ter ajudado? Eu mesma acho que magoei muito a pessoa que mais me ajudou. Então as palavras que lerá em seguida, não é de nenhum santo sobre um pedestal. Não é de alguém que está aqui pra julgar o juízo e nem as pessoas aqui mencionadas.   Rosa foi uma pessoa que sempre ajudei, e ela teve vários momentos de fome ao lado de Fatinha. Mas não poderia fazer muito, neste momento em que ela me pediu comida. Trouxe legumes ela agradeceu sem graça, embora desconfie que ela, mesmo necessitada,  deu os legumes para minha prima Maria, que morava no mesmo quintal. Não falarei sobre ela, falarei sobre o seu caso, a Telma, com quem ficou morando, depois de terminar com Fatinha.   Telma era pedreira, tinha uma espécie de trabalho fixo na casa de uma família, mas costumava pegar serviços...