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A CRUZ INVERTIDA DO SUBCONSCIÊNTE E O ENIGMA PENHA   Minha mãe sempre dizia que, quando Penha deixou de trabalhar na nossa casa, eu fiquei três dias em febre. Que eu era apegada a ela. Poderia ser muito criança, entretanto, eu lembro da Penha. Infelizmente não são boas coisas. Das torturas psicológicas que meu irmão fazia, coisa de irmão, tipo, ele fazer uma voz cavernosa e ameaçar do Hulk (o original da série de TV dos anos 70) vir me pegar. Do Almir me fazendo chorar por qualquer coisa assim parecida, eu baixinha, olhando para ela e Penha rindo de mim me encarando com seus olhos. Atravessando uma ponte, que passa por cima de um rio podre, aqui perto de casa, Almir me pegou pelos braços e me pendurou fora dela, me ameaçando jogar no podre Sarapuí. Ela com sua risada que soava como “risada malvada” de bruxa. Porém existiram bons momentos, eu deveria ser realmente apegada a Penha, porém, foram completamente apagados da minha memória. Não lembro desse apego, d...

As Horas Seguintes

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  AS HORAS SEGUINTES   _Adriana, como foi? Perguntou-me Solimar. Afinal o meu encontro acabou virando assunto da escola. Eu tinha um admirador secreto (?), que independente da minha vontade, na verdade eu não acreditei no bilhete, virou tema na escola. Graças as garotas que mesmo eu dizendo que aquilo parecia trote, insistiram que não. Ainda estava sob o barulho das gargalhadas. Solimar, talvez achasse que aquela quizumba na porta da escola fosse outra coisa. Senti um interesse genuíno na sua pergunta. _É tudo trote. Não existe Robinho. Mas eu já sabia. Dei as costas e me apressei para sair dali. Sem olhar pra trás. Seu rosto surpreso, parecia não acreditar no que eu dizia. Ao menos dela tive essa impressão. Mas não posso dá certeza de nada. Fui para o ponto sem olhar pra trás. Havia meninas da minha sala. Garotas que não deram muita bola para o que aconteceu comigo durante a semana, e tão pouco no que aconteceu minutos atrás. Acho que queria conversar. Ela...
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VOCÊ NÃO TEVE CULPA (NEM EU) Chalana enterra o seu filho. Não havia choros ou gritos desesperados no velório. Apenas um silêncio sepulcral. Todos ali evitavam se olhar. A cabeça baixa era regra. NInguém chegava perto do caixão lacrado. Gustavo destruiu sua cabeça, com uma espingarda de cano duplo, com um tiro no céu da boca. Um adolescente, na flor da vida, que resolveu acabar com ela. Chalana está estática. Seus olhos parecem secos de tanto chorar, sem brilho. Nem parece respirar. Ninguém chega perto dela. Seu ex-marido, sua mãe, ex-sogra, irmãos. Apesar de cabisbaixos, os olhares de todos os presentes se dirigem a ela. "Ela não percebeu?" "Como ela não viu o que acontecia em baixo do próprio teto?" "Mãe desnaturada que não sabe o que se passa com o próprio filho!" Seu ex, depois de ficar horas do lado de fora, sem conseguir entrar na sala onde o caixão é velado, de fora, observa a  ex-esposa. Parece querer tomar impulso par...
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SIM, O MUNDO SE IMPORTA Lá vem a vontade de chorar Ninguém morreu Ninguém me contrariou Humilhou (não agora) Não sinto dores. Eu apenas quero chorar. Preciso, mesmo sem motivo? Deixa vir. Ninguém tá vendo. Começo a gargalhar. Pulo de alegria. Alegria de quê? Estar vivo jã não seria um motivo para sorrir, rir? Rindo até perder o ar, as forças, cair no chão. Eu quero um abraço do chão. Um acolhimento da poeira. A risadas cessam por falta de forças. Não consigo nem me levantar _Eih! Cê tá batendo com a cabeça na parede! _Faz bem! Bato com a cabeça até abrir, e o sangue jorrar. Minhas mãos já estão furadas pelas forças das unhas. Minha boca sangra. _Bate mais. Tá dando certo. Tá mesmo. A dor que não doía, apenas sentia, passou. Me encolho aliviada, sentada, diminuída, encostada na parede. _Você odeia o mundo? _Eu não, apenas odeio a mim mesmo. _Por que não se mata então? _Vai faze diferença pro mundo, eu morrer? ...
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As Raízes da Árvore dos Horrores Ela começou na adolescência. Acreditava que seria uma fase. Os hormônios. Não tive uma adolescência pacífica. Morte da mãe. Um pai completamente perdido, uma tia ainda mais repressora que minha mãe. Um escândalo conjugal na família, a franca decadência financeira de Seu Miro. Era apenas uma fase Na infância, e ainda hoje, tinha e tenho, ainda hoje, uma personalidade muito passiva. Eu era sistematicamente roubada na escola. Era o troco da merenda ou algum dinheiro extra que havia trazido para comprar alguma coisa ou compor a vaquinha de uma festinha entre amiguinhos. Nunca pensei assim. Eu sempre me culpava. Embora o meu dinheiro sempre estivesse dentro da mochila, quase sempre dentro de uma carteira, a minha conclusão era que eu... Havia perdido o dinheiro. Simples. Fracassei, me distraí, não tomei cuidado. Nunca pensei o óbvio. Roubaram o meu dinheiro. Nunca reclamei com a professora, nunca convoquei o...
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Eu Que Quis Não procuro parentes e amigos. Por opção Decisão Livre escolha Motivos: Inveja - Eu assumo. Eu sinto inveja. Não desejo mau a essa pessoa. Porém, não me sentia bem em conviver ao lado de quem tudo da certo, enquanto em decaía. Não quero ser a amiga pobre, tão pouco a "abeira" de ninguém. Vergonha - Tudo deu errado, tudo tá dando errado. Vivo em um ambiente sem respeito. Voltarei a procurar essas pessoas, quando reconquistar tudo que perdi. Gente falsa - Analisando bem, foram elas que saíram da minha vida. Seguiram seu caminho. Querem que eu visite suas novas casas, mas não vou fazer. Se o destino se encarregou de afastà_los de mim, é obrigação minha me afastar desse tipo de gente. Tomar vergonha na cara. Malévolos - Ainda sou obrigado a conviver com alguns. O mal é cínico, asqueroso, escroto, hipócrita, fingido. O mal nasceu e reinou em minha família. Tanto como pessoa, como maldição , destino carma ou seja lá o que for. Cortei...