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FINADOS E A MINHA QUIZILA COM OS CEMITÉRIOS

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FINADOS E A MINHA QUIZILA COM OS CEMITÉRIOS   O dia de finados é tão forte entre os católicos quanto entre os de religião de matriz africana. Uma vez, acompanhando uma amiga, vi um cemitério cheio, com pessoas vestidas de branco e, ao que me parecia, fazendo rituais em volta das sepulturas. Havia o clichê da venda de flores, velas e os “coveiros de última hora”, gente com enxada na mão, oferecendo serviços de capinagem e limpeza de túmulos. Principalmente nas covas simples, sem jazigo, enterrados sob a terra e uma simples cruz. O filho da Rosa estava nesse estado. Ela nunca teve dinheiro para adquirir um jazigo para o filho, que morreu jovem.   No candomblé e na umbanda, espírito de morto recebe o nome de egum. E não é uma coisa boa. Os mortos devem seguir o seu caminho. Se ficam por aqui, perdidos ou presos na nossa realidade, podem ser chamados de encosto, o espírito, nem sempre de um morto, que vive de sugar as forças de um vivo. Atrasando, atrapalhando a su...
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SIM, O MUNDO SE IMPORTA Lá vem a vontade de chorar Ninguém morreu Ninguém me contrariou Humilhou (não agora) Não sinto dores. Eu apenas quero chorar. Preciso, mesmo sem motivo? Deixa vir. Ninguém tá vendo. Começo a gargalhar. Pulo de alegria. Alegria de quê? Estar vivo jã não seria um motivo para sorrir, rir? Rindo até perder o ar, as forças, cair no chão. Eu quero um abraço do chão. Um acolhimento da poeira. A risadas cessam por falta de forças. Não consigo nem me levantar _Eih! Cê tá batendo com a cabeça na parede! _Faz bem! Bato com a cabeça até abrir, e o sangue jorrar. Minhas mãos já estão furadas pelas forças das unhas. Minha boca sangra. _Bate mais. Tá dando certo. Tá mesmo. A dor que não doía, apenas sentia, passou. Me encolho aliviada, sentada, diminuída, encostada na parede. _Você odeia o mundo? _Eu não, apenas odeio a mim mesmo. _Por que não se mata então? _Vai faze diferença pro mundo, eu morrer? ...