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  EXU O BONZINHO   Eu escreverei aqui as minhas vivências e testemunho dos tempos em que frequentei templos de religião afro-brasileira. Como devota e cliente, porém, nunca como filha de alguém. Por graças, eu nunca quis, e foi uma das poucas decisões acertadas na minha vida. Falarei de um dos exus mais controversos que conheci. As Marias Molambos. Uma delas nem falava mais comigo, quando me recusei a fazer um trabalho receitado por ela.   Molambo das Setes Encruzilhadas eu conheci em duas cabeças. Nas duas ela fez estragos. Em uma delas escravizou o seu “cavalo”, embora Tia Maura jamais tenha se rendido às suas vontades. Mesmo com a Molambo a jogando nua na lama e na rua. Mesmo com a Molambo fazendo-a desaparecer e ser achada entre mendigos. Tia Maura quando queria um pouco de paz, de vez em quando cedia e fazia as vontades da sua pombagira e logo abandonava. Tia Maura morreu seca, cega e travada na cama, sendo que antes disso tudo acontecer, a pombagira ...

FINADOS E A MINHA QUIZILA COM OS CEMITÉRIOS

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FINADOS E A MINHA QUIZILA COM OS CEMITÉRIOS   O dia de finados é tão forte entre os católicos quanto entre os de religião de matriz africana. Uma vez, acompanhando uma amiga, vi um cemitério cheio, com pessoas vestidas de branco e, ao que me parecia, fazendo rituais em volta das sepulturas. Havia o clichê da venda de flores, velas e os “coveiros de última hora”, gente com enxada na mão, oferecendo serviços de capinagem e limpeza de túmulos. Principalmente nas covas simples, sem jazigo, enterrados sob a terra e uma simples cruz. O filho da Rosa estava nesse estado. Ela nunca teve dinheiro para adquirir um jazigo para o filho, que morreu jovem.   No candomblé e na umbanda, espírito de morto recebe o nome de egum. E não é uma coisa boa. Os mortos devem seguir o seu caminho. Se ficam por aqui, perdidos ou presos na nossa realidade, podem ser chamados de encosto, o espírito, nem sempre de um morto, que vive de sugar as forças de um vivo. Atrasando, atrapalhando a su...
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MOMENTOS BIZARROS DA VIDA DA ANITA A Macumba de Vigário Geral Não sei precisar se isso aconteceu antes ou depois daquela chacina horrorosa, onde policiais invadiram uma favela em Vigário Geral, atirando a esmo, em pessoas inocentes, onde famílias inteiras foram executadas, em vingança ao assassinato de policiais no dia anterior. Mas foi por aí, no comecinho dos anos 90. Dona Eulina, iria tocar uma macumba no barracão da sua nova filha de santo. Um tipo de filho chamado de “enxerto” entre o meio. Filhos de santos iniciados e raspados em outras casas, e que acabam saindo desta, fazem suas obrigações em outras. Eulina convocou seus filhos a irem também, Rosa, como sempre, a contragosto foi. Ao chegarmos, a macumba ainda não havia iniciado, não por esperarem Eulina, mas porque a casa não tinha ogãs. Casa que não tem ogã, fica dependendo de ogãs de outras casas. A maioria, só comparece nesses casos, se forem pagos para isso. Ninguém apareceu, o jeito foi ape...