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FELIZ ANO NOVO, NELLY

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  FELIZ ANO NOVO, NELLY   É um texto muito difícil de escrever. Vão me julgar como radical e/ou narcisista e/ou ruim mesmo. É uma resposta, resposta a um aceno, a um “Feliz ano novo” que ela me dedicou ano passado. Não sei se ela está viva, se está bem, porém, faz de conta que nada mudou na vida dela. Se não aconteceu nenhuma tragédia, tudo deve estar muito bem. Então: Nelly, talvez eu tenha confundido você com outra coisa, e não é difícil alguém se enganar contigo. Afinal, você quase toda semana, postava uma pizza gigante, com você e seus familiares em volta, achava que você gostava de pizza, e você disse-me que não (?). Parece que comer pizza pra você nos domingos à noite era quase um sacrifício pela família, então, seu sorriso na foto, não era pela pizza, era pelo final de domingo, irmãs, sobrinhos, sobrinhos-netos reunidos.  Por eles, valeria o esforço de comer uma pizza.   Você venceu, rodou o mundo, talvez não pareça uma rica, embora tenha min...
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   BURCOSKA SOLTA O VERBO II Damiana A Virgem de 36 Anos Nessa vida morta que tive, conheci pessoas parecidas comigo, porém, diferente de mim, encontraram suas tampas de panelas. Embora não tenha sido nada fácil. Damiana e eu somos da mesma geração. Sem conversas sobre sexo com a mãe. Pai repressor, filhos vigilantes, famíla que sempre a cobrava pelos namoradinhos nas reuniões, porém, ao mesmo tempo que criava todos os empecilhos para iniciar ou ter um relacionamento ou namorico qualquer. Ela dizia que seis horas da noite devia ficar trancafiada em casa, dentro do quarto. Seu quarto possuía banheiro ,TV e videocassete. Às oito da noite saía pra jantar, inquirições básicas do pai e da mãe sobre a escola. Um elogio pelas notas e uma reclamação básica principalmente da mãe. “Não gosto das suas amigas de colégio.” “Te viram na lanchonete da rua da escola, rodeada de meninos.” Ela e os irmãos estudavam na mesma escola… O pai de Damiana era o pai antigo, a geração que mais criou fil...
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  MARLI MORREU   Esse ano, pra Marli, não começou bem. Logo no início, na ressaca das festas de fim de ano, soube que ela foi parar na UTI e ficou mais de uma semana por lá. Voltou, zoou a situação. Fez pouco caso. Marli estava de volta a sua rotina. De manhã cedo, normalmente com um casaquinho, seja qual for a estação, pegando sol para se aquecer nos fundos do ferro-velho. De vez em quando, atendemos fregueses por esse portão. Ela catava as sucatas que caía no chão ou ganhava dos fregueses, pois ela sempre levava água para eles. Sua alegria, era quando enchíamos a caçamba de caminhão com latinha. Se caísse no chão, a latinha era dela. _Espera aí , Marli, a gente tá carregando ainda! Ela não deixava os meninos catarem. Respondia orgulhosa que o Alex permitia. E era verdade. No final do dia, Marli juntava até 5Kg de latinha e no dia seguinte revendia para o Alex, na cara limpa, a sua própria latinha. Como falei antes, Alex não ligava.   Como moram...