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  MOMENTOS BIZARROS DA VIDA DA ANITA VALORES Era bem criança, sentada no degrau da escada que levava à laje, entre alguma brincadeira com material reciclável, pensamentos fantástico de uma imaginação, fomentada na solidão de ser a única menina da família, e alheia ao que acontecia ao meu lado, barulho de martelo, conversas masculinas, fregueses sendo atendidos. Entra um senhor magro e alto, pele parda, calça jeans, camisa de botão, azul, atrás dele um garoto. Meu pai atendia os fregueses da sua varanda, esse homem nada trazia, mas foi logo se apresentando, falando quem era, sua reputação… Falava alto, porém sem ser agressivo, forte, gesticulava muito. Típico de palestrantes, hoje, “coach”, era seguro de si. Meu pai, surpreso, apenas escutava, de início sem entender nada. Obviamente, me chamou atenção o que acontecia. O homem queria dinheiro emprestado… Uma emergência que seria paga logo mais. Meu pai, além da reciclagem, possuía negócios que completavam a renda. Penhor, por um mome...
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UM PAÍS DAS PEQUENAS AUTORIDADES Quando você entra numa repartição pública, e logo de cara vê aquele cartaz sobre uma lei em que o “desacato” a um funcionário público pode implicar em cadeia. Temos a noção do que o Estado pensa do cidadão: Somos os burros de cargas. Nosso papel é de ser chicoteado, humilhado carregar o pesado fardo de um Estado opressor, explorador, que não dá a mínima pra ti. Creio que vocês devem estar cientes do empresário negro que recebeu um mata leão da polícia baiana, dentro de uma agência da CEF. Tudo que ele queria era ser atendido. Depois de ser totalmente ignorado pelos gerentes, no fechamento da agência se recusou a sair, a polícia foi chamada, e deu no que deu. Ahhh... Mas não são todos assim! Eu sou funcionário público e sei o que passo. As pessoas já chegam socando a mesa, são mal educadas! Eu sempre atendi muito bem a quem me procura! Talvez, extremos como os descritos acima, não. Afinal, o cartaz ameaçador inibe. ...