TEM VEZ QUE ATÉ DUVIDO... Tenho altos e baixos. Muito mais baixos que altos; muito mais choros de sorrisos, porém estou aqui. Chorando internamente, rindo, gargalhando externamente. Não permita que o mundo veja sua tristeza, também, não grite a sua alegria. O tema aqui, não são as coisas que me fazem triste e alegre. O tema é outro. Vou falar de corpo. Talvez alma. Ela existe? Ela só passa a existir quando morremos? Corpo e alma são um só em vida? Tem momentos que tudo que quero e me encolher no chão, sob uma cama ou uma grossa camada de cobertores. Quietinha, tremendo de medo, de ansiedade... Punhos cerrados, dentes trincados. Tudo me faz chorar! O irritante é que não há nenhum motivo externo pra isso. Eu não perdi a minha família, O emprego, Os amigos O mundo não vai acabar... Meu corpo que me ordena. Hormônios que se enfurecem, serotonina que desaparece, ligações neurais que falham. Não tem nada a ver com alma. É carne, é sangu...
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NÃO GANHAVA, EU DAVA Não fui a criança que pegava doce. Estudava à tarde, e no tempo em que ficava em casa, não tinha autorização nem pra colocar o dedão do pé no portão, imagine então sair pelas adjacências à procura de doce. Fui uma criança que “dava doce”. Todo Cosme e Damião ajudava minha mãe na compra dos doces, na arrumação dos saquinhos. Bem, não chegava a entregar os doces. Isso era minha mãe que fazia. Era tradição: “O ferro-velho dá doce.” Sempre levava saquinhos para minhas amigas de escola. Patricia nunca comia, dava para professora ou distribuía os doces entre o grupo. Dizia que não queria, que estava com azia. Não entendia na época que o motivo dela era outro: Patricia era crente. Nada que abalasse a festa da criançada. A alegria, a caça pelos saquinhos. Meu primeiro contato com a religião dos meus pais, a umbanda, foi numa festa de erê. Era bem novinha. Não tinha ideia do que realmente era aquilo. Pra mim era uma festa, não estran...
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A Primeira Vez que Vi um Homossexual Ou Bichinha Mesmo... Eram tempos controversos. Minha mãe morta há pouco tempo. Meu pai perdido com a situação. Muita gente se aproveitou da sua total inaptidão com a família e com o próprio dinheiro. Uma das maiores picaretas que se aproveitaram da fragilidade de um recém viúvo foi a médica Iracema e a famigerada Tia Leninha, (Que o diabo a tenha!). Saindo de mais uma fisioterapia (?), que pra mim foi puro placebo, um engodo entre tantos pra arrancar dinheiro do velho, pois fui para o bisturi de qualquer maneira, fomos para um ponto de ônibus, eu e a minha horrenda tia. O ônibus demorou bastante. Do outro lado da estreita rua, um pequeno grupo de amigos. Um deles me chamou muito a atenção. Eram os anos 80. Existia nessa década uma peça de roupa feminina chamada "colant". Era o maiô que não se usava em praia. Foi o que me chamou a atenção. " Homem usando roupa de mulher?" "É mesmo...
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LÁGRIMAS DE CROCODILO Ele era um filho que sempre maltratou os pais. Odeia os irmãos, detesta sua família. Com a minha mãe resmungava as piores respostas, para ela ouvir: "vaca velha, bruxa, gagá, maldita." Roubava descaradamente Dona Aparecida, de dinheiro na carteira a objetos, para gastar com outros e para presentear outros. Um filho maldito, ingrato e tudo de ruim. Eu tinha 12 anos quando minha mãe faleceu. Noviça nas experiências da vida, ainda assim estranhei a reação dele. Amiltom depois de presenciar a morte da mãe, ficou sofrendo calado com seus amigos no seu quarto, eu chorava, brincava, chorava... Não me lembro do que foi feito do Alex, o caçula. Contudo, sentencio: Ele, o maldito, foi o que mais chorou. Passou até mal no velório. Achei suas lágrimas tão fingidas, tão falsas. No enterro da minha tia Nair não foi muito diferente. A filha que gritava horrores para mãe e ameaçava de forma consciente e fria que: _Se meu pai morrer pr...
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TÁ LÁ O CORPO ESTENDIDO NO CHÃO... Onde nasci, cresci e atualmente envelheço sempre foi um lugar mórbido, esquisito, estranho, vazio, escuro, perdido... Território fértil para a aparição de defuntos. Há a linha de trem onde até pouco tempo atropelamentos aconteciam, quando não suicídios. Os canos gigantes da CEDAE que margeavam um terreno até então vazio, perfeito para bandidos arrastarem a vítima para ali e fazer o que bem entendesse dela. Não havia iluminação na ponte até poucos anos atrás, poucas casas, e há o rio Sarapuí, famoso na baixada por ser local preferido de desovas de corpos. Mortos em Acari, costumavam encalhar onde moro. Dele, vi corpos frescos, corpos estragados, corpos emburacados, esqueça os que você assistiam no CSI e lhe causava nojo. A realidade é bem mais horrenda. Vi mulheres, mulher grávida, velhos, adultos e um bebê. O que havia em comum entre eles era a atração que causava às pessoas da localidade. Verdadeiros urubus que se...
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A PISCINA DA RUA ARGENTINA Longe da praia e de uma cachoeira, porém perto do inferno. Esse é o resumo da Baixada Fluminense no verão principalmente nos anos 80. Onde moro por exemplo, pessoas iam com toalha de praia, roupa de banho e até bronzeador para um bicão, que ainda existe até hoje na linha do trem. Quando não furavam um dos canos da CEDAE para fazer dele um chafariz. Clubes nesses tempos eram coisas para ricos e esnobes. Uma ida à praia era quase uma operação de guerra. Começando pelas crianças da casa, que ficavam ao menos 30 dias aporrinhando seus pais com: "Vamos pra praia! Vamos pra praia?" Depois fazer um poupança para os gastos com a "viagem", e levar muita comida nas bolsas e mochilas. Somos sim farofeiros, damos jus a essas denominações. Somos odiados e evitados pelo povo das cidades praianas e com uma certa razão. Imaginem a euforia de todo um bairro e adjacências quando um classe média fodido em suas c...